Como Elogiar Uma Criança

Transcrevo abaixo, parte da reportagem publicada na revista Superinteressante, edição 277, de abril de 2010. A matéria “O problema do elogio” foi escrita por Marisa Adán Gil.
A reportagem cita o trabalho da psicóloga americana Carol Dweck, da universidade de Stanford, realizado com 400 alunos de uma escola de Nova York: Em um estudo, alunos da 5ª série fizeram um teste de QI, simples para estudantes da sua idade. Terminado o teste, os pesquisadores davam as notas aos estudantes, e encerravam a conversa com um elogio. Metade deles ouvia “Você deve ser muito inteligente”. Para a outra metade, o texto era diferente – não parabenizava o aluno diretamente, e sim sua atitude: “Você deve ter se esforçado muito para conseguir esse resultado.” Carol e sua equipe queriam dividir os alunos em dois grupos -“os inteligentes” e “os esforçados” – para ver o impacto da diferenciação no comportamento das crianças.
O impacto apareceu rapidinho, já na 2ª tarefa. Nela, os estudantes tiveram a chance de fazer sua escolha: um teste simples, tão fácil quanto o 1º, ou um mais complicado, que “faria com que eles aprendessem muitas coisas novas”. O grupo dos inteligentes escolheu o teste fácil. O dos esforçados foi mais corajoso – optou pela prova difícil. O 3º teste, bem mais complexo que os anteriores. Os dois grupos se deram mal. Só que os esforçados – justificando o apelido – se dedicaram muito mais à resolução da prova. Os inteligentes? Ficaram extremamente nervosos. Mal conseguiram terminar o teste.
A grande surpresa, no entanto, veio na 4ª prova. Essa era barbada, tão fácil quanto a primeira. O resultado: os elogiados pelo esforço melhoraram a nota. Já os inteligentes foram mal”
(…) Para isso (desempenho ruim), basta criar uma zona de segurança. Evitar provas difíceis, cursos complicados, qualquer desafio que possa representar um risco à imagem. Já na cabeça do aluno elogiado pelo esforço, o pensamento é outro: se passou por esse desafio, pode vencer o próximo – basta tentar. “Por isso o elogio deve ser dirigido para o processo, e não para o resultado”, diz Carol. “Sempre para as ações, nunca para a pessoa.”

Dr. André Cabral
Neurologista Pediátrico.

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